Danço.


Aos queridos amigos Cléber Borges e Gislene Rosa.

Eu danço aquele dia. Danço aquilo que fiz. Danço aquilo que pensei. Danço aquilo que senti.
Danço aquela conquista. No mover dos meus braços está aquela felicidade. Estão em meu rosto todos os sorrisos.
Danço aquela lembrança, aquele passado nunca esquecido. Danço aquele alguém.
Danço o amor. Ele está em meus olhos enquanto me movo.
Danço aquele beijo. Meu corpo desenha aquela noite... o sentir da pele do outro corpo... o nós dois nos momentos em que fomos um.
Danço aquela discussão que tivemos. E aquela que não. O temor que senti está em meu rosto, enquanto meu corpo executa o movimento... sai pelos meus poros, junto ao suor...
Danço aquela dor. Meu corpo diz. Diz sobre meus medos e minhas angústias enquanto danço.
Danço aquilo que gostaria de falar e não falei. Quando travei meus dentes com força para prender as palavras que queriam sair... não saíram naquele momento, mas saem ali, naquele giro...e assim, nos acertamos.
Danço aquela mágoa, deixando passar o momento. Era sofrimento, que acaba de tornar-se perdão quando nossos braços se entrelaçam.
Danço aquele choro. Meu corpo desenha as lágrimas e diminui o tamanho daquela dor enquanto danço.
Danço os meus segredos. Os mais íntimos e indizíveis. E assim, meus pés os escrevem enquanto percorro o salão, para que todos os conheçam.
Danço os meus sonhos, minhas fantasias... estão ali, em cada passo.
Danço a minha vida. Meus movimentos. Que refletem, revivem, tocam, resolvem, terminam, começam.
Mostram e me tornam aquilo que sou.
Danço tudo de mim.
A cada nova dança, respiro a minha história.


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