Análises [12]

As coisas diante de mim são o que posso saber, mesmo que sejam somente ilusão, são o que estão em meu campo de visão.Este é o mundo que vejo.Não há outro mundo e preciso aceitar este.
Renasço do vazio (dele fui expulsa apenas porque passei por um processo, pertenci a uma história, fiz uma experiência), como quem respira pela primeira vez,vê coisas novas.
Meu renascimento tem o nome do susto.Não posso parar de pensar;mas agora o arranjo entre o nada e as coisas se batiza de "perplexidade".Disponho de um arsenal parcial para compreender esse mundo:luzes, sons, cheiros, sombras, palavras, imagens.Todos esses, cacos do visível a procura de algo que os cole.
Estou no meio de um medo fundo.Medo do escuro do que vejo,mas não concebo.
O nome "eu" é apenas mais um elemento em meio à confusão."Eu" é a pedra sobre a qual me ergo para olhar o que há no charco onde naufraguei cedo demais sem saber como vim dar nele.Ou ainda pedaço de madeira do naufrágio de onde me ergo à procura de terra a vista.
O meu eu hoje é como um espantalho montado sobre frangalhos e farrapos para espantar monstros ou os pássaros da plantação onde cresce o que deve e o que não deveria crescer.
Meu eu hoje nada mais é do que a língua com a qual expresso meu pensamento.Uma esperança de unidade.Nada mais do que um chão,cujo fundo me escapa.
Não posso contudo, dizer que me é difícil ser eu.Difícil é estar no meu ponto de vista.


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