Crônicas de um besouro rola-bosta.


Demorou, mas me dei conta que eu sou alérgica a tranqüilidade.
Mas calma, não vou choramingar as mazelas da minha vida aqui.
Até porque, na maioria das vezes, eu não sou nenhuma injustiçada.
Quando então começa a tocar Mrs. Robinson.

"Laugh about it, shout about it, when you've got to choose. Every way you look at it you lose."

Nada é mesmo por acaso.
Enfim.
É.Eu sou alérgica a tranqüilidade.Que hoje em dia não tem mais trema por causa da tal reforma ortográfica.Mas eu tremo, com ou sem reforma.
( e a maior mentira de Gêmeos: vem cá,senta aqui que eu vou te contar resumidamente o que aconteceu...)
Tá.Foco Camila, foco.
É meu dever admitir que tudo nessa vida " eu fiz porque quis" ( repita isso pra si mesmo vááárias vêzes,like a Vanessão feelings, que economiza muitas horas de autocomiseração); mas também devo dizer que, em minha cabeça, eu não tinha mesmo muita opção.Era inevitável que eu fizesse em algum momento.Afinal de contas, eu sou uma pessoa que não cria juízo.Porque não sei o que ele come.
Eu me jogo, e quando vejo, eu já fiz a cagada, já me meti na roubada, já me ferrei irremediavelmente.É a minha coisa sabe, é o que eu faço.Tem gente que pensa, sofre por antecipação e só depois faz a caquinha.Gente assim só faz o que faz porque simplesmente não pôde escapar das circunstâncias.E eu até queria dizer que esse é o meu caso, mas não é.Eu vejo a cagada vindo lá de longe, a vejo semanas antes.E até tento desviar, mas algo em minha natureza mais íntima parece exigir que eu cometa todas as cagadas em meu caminho.Minha natureza, em algumas épocas, parece consistir exclusivamente disso.E então eu miro em uma delas e acerto todas,ás vezes mais de uma simultâneamente, com precisão matemática.
Como disse uma grande amiga, eu sou como um besouro rola-bosta.Não é que eu faça merdas homéricas.Eu vou acumulando pequenas bostinhas até virar uma bola gigantesca na qual eu me escondo.
E eu não nego,eu tenho muitas recaídas.
Eis que,depois de exposto o tema, me prestei a escrever sobre o assunto, tentando explicar: tem vezes em que não há recaída.Tem vezes que eu não vejo o negócio se aproximando.Simplesmente...acontece.Não deveria ter sido, mas foi.E não adianta pedir desculpas.Não se pede desculpas pelo que não se planejou, é hipócrita fazer uma coisa dessas.E eu posso ter lá minhas limitações emocionais, mas hipocrisia não é uma delas.Incoerente, indecisa tudo bem.Hipócrita, não.
E não é que eu não sinta remorso.As vezes eu sei que as coisas que fiz foram injustas, que as pessoas não mereciam minha inconsequência, meu egoísmo, minha impulsividade que me leva a cometer atos que jamais terão justificativa plausível.
Sei lá.Eu deveria pensar antes, mas não consigo.
Eu não lembro como, não sei o porquê, só sei que foi.E foi muito.
Eu sou alégica a tranqüilidade.E aí tem dias em que parece que meu remédio é transformar a minha vida numa zona, numa grande bola de bosta, assim que ela começa a se estabilizar.
(para Sânsa, em 16/05.)


One Response to Crônicas de um besouro rola-bosta.

  1. Cami!, adorei! sabes que te entendo perfeitamente porque somos parecidas nessa impulsividade descrita.
    o negócio é que não me arrependo de merda nenhuma: é a bosta o melhor adubo para a terra e é com essa caquinha toda que a gente pode construir um campo vivo e fértil dentro de si.
    Beijos, saudades!!! Clarissa B.

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