Análises [20]

A culpa é algo bem seguro.A culpa é quase poética na verdade.É um interregno (a-dóóro essa palavra!) entre dois movimentos, um contratempo, a decisão quase espontânea do passo seguinte quando os olhos se encontram e desafiam-se, para tentar algo que não foi ensaiado.
A culpa é uma manobra que inverte os papéis de líder e seguidor,de puta e cafetão, de quem manda e quem obedece, nessa dança dramática de rotinas imperfeitas e maquiadas para parecerem propositais - ou apenas bonitinhas demais para alguém que se preocupe com a sua precisão.
A culpa é um tango improvisado.Os pés deslizam a cada arrependimento e a cada possibilidade se entrelaçam, se confundindo num jogo rápido de argumentos, quase sempre inválidos.A postura é sempre firme com as certezas, os movimentos são sempre espirais com as vontades.O ritmo oscila entre os acordes exagerados dos escândalos e a lentidão morna da indecisão.A transição entre as madrugadas e eventos de auto-flagelo servido com duas pedras de gelo e a lembrança da preguiça das manhãs tranqüilas que antecederam essa dança é violenta,mas se dissolve nas cortinas de fumaça, na decadência patética das acusações e apelos que se repetem até a última explosão triste dos violinos, antes do silêncio.
A culpa é um sentimento seguro.Você erra,você se enrosca, mas continua dançando.Por puro instinto.E se você não sabe dançar, não tem problema, porque sempre vai ter alguém que saiba pra te levar no ritmo.
It's meltdown season.E eu não sei dançar tãão bem assim, mas sei escrever textos cafonas e metidos a poéticos como ninguém.Daqui a pouco passa,mas por enquanto eu preciso desses desabafos - nem que seja pra apagar tudo quando eu voltar ao normal.


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