Arrumando o armário.

Dividi a minha noite entre chorar, organizar o armário e claro, escrever alguma bobagem sobre isso.Quando estou triste, eu escrevo pacas.Não sei porque, só sei que é assim.
Cobiça é mesmo o sentimento mais non-sense de todos.
Tinha um vestido de uma amiga, por exemplo.Não era meu, não servia em mim,sequer combinava comigo.Mas eu queria aquele vestido.Desesperadamente.
Aí percebi, num momento super elucidativo de associações desnecessárias,porém produtivas(#AnaPokémonfeelings),que eu já fiz - ou ando fazendo- isso com pessoas também.Pessoas que não eram minhas,que não serviam para mim, que nem cobinavam comigo.Mas que eu queria.Que eu precisava.
E não havia Cristo que tirasse da minha cabeça que era só aquilo que eu precisava na minha vida.
É uma coisa totalmente irracional.Você até vê o absurdo, mas a situação já está totalmente fora de controle.
No caso da roupa, a resposta está quase sempre no espelho.Na hora que você experimenta, está ali, gritando.A estampa, o decote, o caimento, tudo fica péssimo.No caso das pessoas é mais complicado.Você volta e meia flagra o erro em detalhes,pedaços de conversa, mas você experimenta e as vezes calha do beijo dar certo, ter química.E em ambos os casos, você tenta se convencer que não,que deve ter um jeito, porque seria perfeito.
Então você começa a mudar para se adaptar aos seus desejos, se perde de si mesmo para se encaixar naquilo.Perde peso, corta o cabelo,muda o seu jeito - e isso vale tanto para pessoas quanto para roupas-, até um dia olhar ao redor e não reconhecer sua própria vida.
Você jogou fora tudo aquilo que gostava, que era, que queria ser,por causa de UMA peça.Uma única peça,que quando você pega de novo e analisa,já nem gosta tanto.Não por futilidade, mas porque nunca fez sentido em você, em primeiro lugar.Nem as roupas nem as pessoas perdem seus méritos assim, do dia pra noite, é verdade.O vestido da minha amiga ainda é absolutamente maravilhoso.As pessoas de quem eu desisti - ou "fui desistida"-continuam incríveis como antes eu achava que eram.O problema era o conjunto comigo.
Hoje eu olho feliz pros meus jeans e sapatilhas.Olho feliz pras pessoas ao meu redor.Claro, eu ainda quero comprar algumas coisas essenciais,eu ainda quero encontrar THE ONE, mas não adianta forçar.O cartão de crédito tem limite,minha cabeça e meu coração também, e eu preciso fazer escolhas.Não dá pra gastar tudo de uma vez, entrar no vermelho só pra comprar um tomara que caia com o qual eu nunca vou me sentir confortável, assim como não dá pra insistir em relacionamentos sem nenhum futuro, derivados de paixonites com as quais eu nunca vou dividir interesses,nunca vou ter muito assunto.
Eu sei que o que eu mais preciso comprar é um tênis novo.Colorido.Cano médio.Da Reebok.A pessoa, eu nem imagino como seja.O tênis eu tô enrolando pra comprar porque eu tenho um monte de outras coisas mais importantes pra resolver, as quais vou precisar do dinheiro.Então eu talvez não tenha encontrado a pessoa porque preciso usar meu tempo de outro jeito.
Vai saber,às vezes tudo se resolve  no dia que eu for lá comprar o dito cujo do tênis...


E a música tema do post, aqui.


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