Literárias [qual que era mesmo?]


"Eu sou como a criança que não tem mais direito às lágrimas."

É de Michel Houellebecq, poeta e romancista francês.
Um autor com impressionante capacidade de colocar no papel ( e por conseguinte, em nosso pensamento) a realidade em que vive o homem.Homem, em geral.Nós, os habitantes da grande sociedade moderna, sobreviventes do sofrimento diário da eterna dualidade a respeito do próprio ser.
Qual o caminho "correto" a seguir: razão ou emoção?
Segundo Descartes e Platão, entre outros, deveríamos dar voz apenas a razão, pois é ela quem nos leva ao caminho do verdadeiro conhecimento, à Verdade, com "V" maiúsculo.Já para Nietzsche, o pai da contradição, a razão é o grande mal da sociedade em que vivemos.Através dela esquecemos nosso lado animal, essencial à nossa sobrevivência; é através das emoções que nos sentimos como realmente somos e, por consequência o mundo tal como ele é.
O que há então de tão especial nos escritos de Houellebecq?Quais seriam suas idéias tão perturbadoras?
Através da sua escrita, Houellebecq entrou em minha carne, circulou por minhas veias e conturbou minha razão em busca de qualquer pequeno resquício de emoção.Frutos de uma sociedade que faz pouco caso da sinceridade (seja nas ações, nas palavras ou mesmo nos sentimentos) e exalta a falsa imagem e a racionalidade extrema,suas personagens são a expressão mais intrigante e verdadeira dos sintomas a que esta vida nos acomete.Já não nos conhecemos como outrora.
Questionamentos como a utilidade do homem na vida, ou a respeito da função da vida no homem, enchem os enredos de argumentos, uma hora sádicos, outra hora científicos.Não há equilíbrio,não há meio termo, não há felicidade.O que existe são apenas pequenos e efêmeros prazeres que tornam suportável o peso sufocante e mórbido de uma rotina insignificante.E por fim, a morte.
Incrível.Arrebatador.Pois mesmo estando imerso nessa realidade, Michel Houellebecq consegue perceber grande parte das carências afetivas e frustrações psicológicas que sofremos os homens e traduzí-las em palavras.E ainda cita, com grande sabedoria, soluções para todas(ou quase todas) essas angústias.
Enfim,um gênio, na minha humilde opinião.

O que eu li:
- Partículas Elementares, 1998.

No melhor estilo clique e conheça:


Leave a Reply