Eu e a paixão

Sofrimento, se não mata, torna você mais simpático.
No mundo, Woody Allen.No Brasil, Domingos de Oliveira. Esses tempos, o documentário que a atriz Maria Ribeiro fez sobre ele.
Logo no início, Domingos diz que a vida é uma rameira e o amor, uma selvageria.Domingos diz que já sofreu muito, mas só por amor.Sofrimento, se não mata, torna você mais simpático - diz ele.E depois, transforma-se em obra de arte.Domingos disse que se apaixonou pela Fulana de Tal no exato momento em que a viu.Aliás, naquela noite se apaixonou por duas ou três - disse ele.Naquela época, tinha coração para isso.
Fulana de Tal era Leila Diniz e o filme que a história rendeu,Todas as mulheres do mundo.
Quando Domingos fala de paixão de forma totalmente despudorada, eu me identifico com ele.Há quem respeite a paixão.Há quem faça cerimônia com ela e assim, prefira o distanciamento.São incontáveis os que ficam sem jeito diante da paixão.E ainda os que não ligam o nome à pessoa ou não sabem como se dirigir a ela, como se a paixão fosse a Rainha da Inglaterra.
Da paixão, como Domingos, sou íntima.É ela que me move, em todos os aspectos da vida.Temos uma relação chegada e libidinosa, eu e a paixão.Ela abre minha geladeira e coça minhas costas onde não alcanço.Na frente dela, faço até xixi de porta aberta.
Quando se dá muita intimidade para a paixão, ela vem com tudo: diz que vai dar só uma passadinha, mas estende a visita por todo o final de semana, uns 11 dias, as férias inteiras.Três meses depois, a paixão está instalada, virou dona da casa - até o dia em que vai embora sem se despedir.E o que é pior: nem cabe chororô, porque ela sempre volta, de um jeito ou de outro.
Ao final do documentário,estive mastigando as frases que saíram da boca de Domingos.E imagino você me perguntando porque estou te olhando desse jeito.Deve ser paixão, eu respondo.Com quem eu não faço a menor cerimônia.


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