Sobre o que é irreversível


Um dos meus pontos de concordância com Nietzsche, não se refere a sua "única" frase dos surdos loucos, dançarinos e a música. Se refere a Sócrates: apesar da profunda admiração e identificação, eu também o considero um borra botas.
Muito da obra do filósofo girou em torno da problemática da ignorância, que o mesmo chegou a considerar " o único mal verdadeiro". Ele sempre se colocava em discussões na posição de ignorante - o que além de soar como falsa modéstia, ainda parece um tipo de esquivamento, pois dizendo-se previamente ignorante ele evitava se comprometer mais profundamente com as idéias que defendia, sempre podendo se desculpar culpando a ignorância por qualquer equívoco cometido - reconhecendo neste momento toda a fonte da sua dita sabedoria.Bom, eu acredito que antes o problema do Homem fosse a ignorância! Isso sim seria fácil de resolver. Só somos ignorantes até o momento em que adquirimos o conhecimento. Portanto pra mim, ignorância tem cura.Já não se pode dizer o mesmo da estupidez.A estupidez, my folks, é irreversível.

Porque uma amiga em viagem à Itália postou no Facebook o comentário de que é necessário comprar ingressos para assistir a uma missa do Papa,tomei como exemplo o fanatismo religioso e até onde ele leva as pessoas.


Sempre fui e sempre serei a favor da religião, mesmo não me encaixando dentro de nenhuma, porque sei perfeitamente que ela sim, modifica a vida das pessoas mas em contraponto é necessária como mecanismo de controle: prefiro um estúpido temendo a Deus que um estúpido me assaltando. E na realidade, considero aqueles que enxergam a religião como um grande mal igualmente estúpidos - não foi a religião que criou seus fiéis, as pessoas afinizam - se com o que é parecido com elas.Existem muitas religiões diferentes, e se aquelas que mais se sobressaem são as extremistas, só posso concluir que a disposição de espírito da maioria das pessoas que a cultua é exatamente essa. Não é a religião que cria preconceitos, os preconceituosos já existiam quando Jesus foi(?) pregado na cruz ou quando Moisés abriu(?) o Mar Vermelho. As pessoas apenas se sentem em casa quando se filiam a qualquer coisa que sabe reconhecer e queira pregar o que se passa dentro delas.Em outras palavras, não foi a religião que criou os homens mas sim o contrário - e isso é tão óbvio que seria desnecessário dizer, mas né...Agora virou moda culpar religião como fonte do preconceito contra homossexuais. Levanta a mão aí quem faltou a aula de História! A religião foi proibida na União Soviética na época do comunismo, mas mesmo assim os homossexuais identificados eram enviados a gulags siberianos para morrer de fome e frio. E ainda hoje, em Cuba, onde igualmente não existe culto religioso, homossexuais apanham da polícia na rua.O que me leva a opinião convicta de quem não há problema com os sistemas, há um problema com as pessoas. Mesmo se vivêssemos em um mundo isento de crenças em além - mundos, teríamos uma enorme parcela da população elegendo candidatos ultra conservadores, igualmente preconceituosos e tão mesquinhos quanto os que vemos por aí.Ao divulgar a existência do "apartheid gay" mesmo fora do âmbito religioso, seria de se esperar que, com a queda da prévia ignorância sobre o assunto, os que perseguem a religião por este motivo deixassem de fazê-lo. Só que não. Porque o problema não é a ignorância.O problema é irreversível.


Leave a Reply