Arena que não é do Grêmio.

E como num eterno ciclo que leva do nada à lugar nenhum, cá estamos nós, como romanos de outrora. As mesmas lutas, os mesmos temores, a mesma sede de sangue.

Vampiros, zumbis à quem o caos compraz até que o maior dos prazeres. Na minha opinião, os romanos ao menos não eram hipócritas. Nós, ao olharmos para o passado, os julgamos como bárbaros sanguinários. Do alto da nossa elegância, polidez e atitudes politicamente corretas, não vamos as arenas.

Mas e quem precisa delas?

A arena é a nossa sala de estar. Sangue e morte aparecem bem ali na TV, nos noticiários, e quase apenas isso. A cada gota de sangue, dez pontos a mais na audiência.
É isso que o povo gosta, é isso que o povo quer. Jornais de "50 cents" são especialistas.
Fotos, fatos sobre a desgraça, a mentira, a vilania, a corrupção. E sexo, muito sexo.
Variações sobre o mesmo tema: desgraças e bundas, homicídios e peitos, latrocínios e bocas carnudas.
O sangue leva a multidão ao êxtase, basta ver como um acidente, uma briga, qualquer desastre ou tragédia é capaz de fazer com os olhares. Uma vez eu li que sangue tem magnetismo. Acho que deve ser isso mesmo. Deve ser por isso que guerras não acabam. Na paz não há sangue e as pessoas querem sangue. E já que a excitação do sangue se mistura a excitação do sexo, porque não podemos unir as duas coisas?

Acabou-se a era do pão e circo.
Agora a turba urge por sangue e xota.
E a massa segue fascinada com seus novos-velhos veículos de cegueira.



"É sangue mesmo, não é mertiolate
E todos querem ver e comentar a novidade
É tão emocionante ver um acidente de verdade
Estão todos satisfeitos
Com o sucesso do desastre
Vai passar na televisão"

Legião Urbana - Metrópole



Leave a Reply