Uma crônica do amor

Se amor viesse em um saco, seria no de 15 litros. O amor seria vendido em uma caixa com 3 comprimidos bem pequenos, sendo que cada um conteria muitos quilos de amor, porque o amor pesa.
Já no primeiro dia de amor, o saco estaria cheio até a boca. Nos dias conseguintes, transbordaria - é muito normal que no início o amor cresça. Quando o amor acontece, pensa-se que nem todas as sacolas do mundo são suficientes para guardar tamanho amor. Perto do fim, se o amor viesse num saco, seria no de pipoca, daqueles de um real, que se pode ver o fundo onde só tem pipoca que não estourou e não dá para comer.

O saco de 15 litros de amor pode durar uns três anos. O saco de pipoca de um real dura o mesmo que isso. O nome disso é preguiça. O nome disso é teimosia. O nome disso é acomodação. O nome disso é medo. Até que passa.
Casamentos de três anos terminam, casamentos de 12 anos e dois filhos terminam, casamentos de 35 anos e cinco netos terminam, casamentos que pareciam ir muito bem terminam, e hoje em dia o Facebook trata de espalhar a notícia. Mas, o que mesmo o amor tem a ver com o casamento?

Sim, há casos em que após uma briga feia ou uma grande decepção o amor se renova, mas são exceções. É aconselhável sempre estar preparado para o dia em que o amor terminar, para não se perder o chão. O problema é que nunca se está pronto para a morte do amor.

Amor não termina da noite para o dia, mas todos os dias. Há menos amor hoje do que ontem, menos amor amanhã do que hoje. Cada vez menos amor, até não haver mais amor.
Antes de acabar, o amor fica muito doente e definha. Então os 'amadores ficam com a imunidade baixa e é possível que peguem paixão - esta sim, efêmera - obviamente, por outra pessoa. E essa paixão muitas vezes está apta a dar o tiro de misericórdia no amor, já moribundo. Vai amor, descanse em paz.

Acho que se o amor fosse um banho, no começo a ducha seria bem quente. Mas no final, o amor escorre mesmo pelo ralo.


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