Análises [36] das coisas que eu odeio

A segunda coisa que eu mais odeio na vida é tentar ser escritora. A primeira é não ter leitores. Tentar ser escritora é passar a noite sozinha frente a uma folha de caderninho mudo. E passar o dia muda frente as pessoas que esperam a gente dizer alguma coisa.

Não ter leitores é ainda pior. É ter a certeza de que você deixou de interagir com as pessoas e beber mais por meses a fio, a troco de nada.
Por vezes não tenho vontade dos meus assuntos e esse é um dos maiores paradoxos de minha limitada galáxia. Se tenho tanto assunto para encher folhas inúteis, por que quando mais preciso não tenho uma linha sequer para manter uma conversação com alguém importante naquele momento.

Não entendo sobre paradoxos. Por vezes acho que são iguais aos meus leitores: não existem. Por vezes, penso que são uma teoria da conspiração: estão em todos os lugares, menos onde deveriam.

Mas o dever nada mais é do que algo que foi inventado para ser burlado.
Afora meus alguns deveres, vivo inventado regras. Afinal, só é possível quebrar uma regra depois que ela de fato exista. Talvez essa venha a ser a quarta coisa que mais odeio na vida. A terceira, com certeza, serão pessoas que conseguem quebrar regras sem ter que inventá-las.


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