Tudo isso era tão natural, tão normal, tão monótono, bastava para encher uma vida, era a vida. 
O resto, as viagens, os castelos de areia, era...o quê? Uma pobre religiãozinha laica para uso próprio. O acompanhamento discreto e seráfico da verdadeira vida. Um álibi? Assim é que eles me veem. Um alguém que quer ser livre. Come, bebe, como qualquer outro, é funcionária, não faz política, lê revistas científicas e está em dificuldades financeiras. Mas quer ser livre, como outros desejam uma coleção de selos. A liberdade é seu jardim secreto. Sua pequena conivência para consigo mesma. Uma pinta preguiçosa e fria, algo quimérica, razoável no fundo, que malandramente construiu para si própria uma felicidade medíocre e sólida, feita de inércia, e que ela justifica de quando em vez mediante reflexões elevadas.


Não é isso que sou?


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