Cordas e uma revolução

Aprendemos na escola que existem tempo e espaço. E que entre eles existem coisas muito difíceis, que a gente não tem idade suficiente nem motivo para aprender, a não ser que queira se tornar especialista nos mistérios desse negócio imenso e em constante mutação que é o universo.
Mas você não quer se especializar nisso. Não tem o menor interesse em nada que envolva microscópios ou telescópios para ver, afinal tem tanta coisa espalhada por aí pra pegar e enxergar, que seria um desperdício de vida ocupar-se de algo além do que está bem ali na sua frente.(é agora que o Cicero não fala mais comigo)
Só que você cresce e descobre que aquelas coisas muito difíceis que você não tinha motivo algum para entender, são justamente aquelas que te atormentam e e que você PRECISA alcançar.
Não porque você dê muita bola para o universo e os planetas. Bom, algumas pessoas dão. Mas a maioria precisa dessas explicações por motivos muito mais egoístas, muito menores. Precisa para entender a si mesmo. Mas o universo continua sendo grande demais, mesmo que você já não tenha seus 14 anos faz tempo. É uma coisa tão intangível e imensa, que não dá para visualizar. Então talvez a melhor forma de absorver o conceito de infinito seja diminuindo-o, transformando tudo que existe em, digamos, você e eu.
Você e eu. Quase nada, e absolutamente tudo que se pode conceber - pelo menos por enquanto.
Imagine que durante muito anos, os cientistas tentaram dar sentido aos mecanismos de cada coisa e ao funcionamento da engrenagem da vida.
O que eles descobriram foi que tempo e espaço são apenas 4 das 11 dimensões pelas quais o universo flui, e que todas as demais é que definem as características e particularidades de toda a vida. Então pouco importa se tivemos um mês, e nesse mês o espaço entre nós sempre exigiu deslocamentos de ambas as partes. Porque essas outras dimensões transcendem isso ao definir todas as características que nos unem e, numa distância ainda mais ampla, definem quem somos.
Mas logo eles encontraram um problema.Nas dimensões do espaço ocorriam turbulências que desorganizavam os caminhos de qualquer linha de raciocínio. Como a despedida que sempre nos foi inevitável e a distância que ela implicava. Só que até aí, isso era apenas um empecilho que talvez fosse contornável, ao qual talvez se pudesse adaptar. Até aí, a gente podia simplesmente aproveitar a companhia um do outro e depois abrir mão dela. Mas a compreensão de tudo se tornou  realmente impossível quando um campo gravitacional tornou o espaço tão denso que despedaçou toda a lógica. Quando eu comecei a sonhar repetidamente com você e esse sonhos tornaram-se sufocantes e insuportáveis porque desfaziam de tudo que até então eu entendia por envolvimento. Isso porque até ali eu entendia o que havia vivido, o que haviam me ensinado. E a escola dos relacionamentos consegue ser ainda mais estúpida que a escola normal.
Foi só depois que você foi embora que eu entendi que tudo é energia. Que é quando a energia vibra que ela se torna matéria. Que tudo depende de como a energia oscila as cordas.
As cordas. Não essas que seguram nossos braços como se fôssemos marionetes. As cordas somos nós, energia pura na verdade. Elas vêm aos pares, como as pessoas. Depois dividem-se, devido as turbulências, às circunstâncias. Mas então elas voltam a se unir e tornam-se uma só, por causa dessa até então inexplicável super gravidade,desse campo entre elas.
A resposta para todos esses problemas existia. E era uma só.
Tudo que até então se descobrira eram apenas fragmentos dessa explicação mais ampla de absolutamente tudo. Cada conflito podia ser justificado através dela e o impensável era possível. Não por causa das centenas de equações inconciliáveis de como todas as pessoas que passaram na minha vida antes e deram errado, e sim por causa da simetria que surgia frequentemente agora.
Todas as pequenas fissuras e falhas nas teorias - nas minhas de vida, dos cientistas- convergiam para um ponto só. Um plano onde tudo fazia sentido... e então não havia mais necessidade de pesquisar, de procurar.
Mas falo por mim, não pelos cientistas. Eu não preciso entender mais do que isso. Eu não tenho idade, nem motivo.
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Todo esse texto pra dizer que tô indo pra Alemanha pra estudar física quântica, vejo vocês mês que vem. ;)


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