Termina com eme.

Eu gosto de sentar no sofá ao seu lado quando nós dois ainda não sabemos se estamos mesmo acordados. Seja cedo, seja tarde, seja sábado.

A "palavra mais bonita da língua portuguesa" na maioria das vezes era "amor". Também aparecia "paz". Ou "saudade" porque essa, não tem em outra língua. Os mais exóticos responderiam "libélula" ou "escafandrista". Eu responderia "também".

"Também" é uma palavra tão bonita, poderia ser a mais bonita da língua portuguesa, a minha mais bonita, e dar pinta na capa da Zero Hora de domingo. A língua toca o céu da boca, o lábio superior pressiona o inferior, aumenta-se a intensidade da palavra do meio para o fim por causa do acento no "e": também."Também" termina com eme, uma das letras que eu mais gosto porque parece doce e cremosa, além de ser a letra do gemido. E o gemido sempre torna o prazer mais intenso, todo mundo sabe, por mais que faça de conta que não.

Desde que nos conhecemos, a exatos 1 ano e 4 meses atrás, não economizo gemidos e "tambéns". Nem haveria motivo, visto que "também", a princípio, não tem fim."Estou com frio", "Eu também". O também é sempre a prova de que não estamos sozinhos. "Vou dormir agora" "Eu também". "As vezes me dá uma angústia no peito" "No meu também". "Não sei se isso é o certo a fazer". "Eu também não". "Mas quero ficar com você". "Eu também".

Há sempre verdade nos nossos "tambéns", até porque "verdade", sei que é para ti uma das palavras mais bonitas da língua portuguesa, quiçá no mundo todo, assim como "saudade", que só tem na nossa língua, que a gente sempre sente, que toca no céu da nossa boca, no teu lábio superior e no inferior também, onde tem uma manchinha. "Estou com saudade" "Eu também".

Assim, sem dizer mais nada, está formalizada a nossa cumplicidade. Sei que tu gosta dessa palavra. "Eu também".


Pra ti, Quíru.


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