Contos de Vidadela

Certo dia em Vidadela, viveu uma pessoa. Um dia, riu e chorou. Havia festas, danças, beijos, pesadelos e tristezas. Nessa pessoa, havia grandes histórias e pequenos momentos, agora cobertos sob o peso da extinção, sob a sombra da decadência.
Algo de apocalíptico dança entre as folhas secas da árvore morta e as folhas vivas e brancas das cartas que escreveu e nunca enviou. Algo assustador e, ao mesmo tempo, que chama para dentro de si, em direção a uma cena de pôr do sol, que aos poucos transforma o dia em agonia.
Mas não é uma ruína. Nunca será esse acúmulo de pedras que parecem orgulhosas em qualquer praça, cercadas de gente sorrindo. É desmoronamento maquiado por renúncias e recomeços.
Tal criatura não se veste de vaidade e esconde seus segredos nas sombras. Contudo, neste desamparo, também está escondida uma beleza íntima que parece buscar, acima de tudo, perpetuar o declínio lento: o abandono como plenitude e a ruína como resistência, no reino das folhas.




Dizem ao mundo que você é maluco e todos os seus protestos só confirmam o que eles dizem. 
Pois bem. Fazendo jus, ligando o foda-se em 5,4,3,2,1.


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